Pesquisa nacional inédita revela aprofundamento da fome na pandemia
08.04.2021

Mais da metade dos domicílios brasileiros (55,2%), isto é, mais de 116,8 milhões de pessoas, conviveram com algum grau de insegurança alimentar nos últimos três meses de 2020. Destes, 9% vivenciaram insegurança alimentar grave, o que significa que 19 milhões de brasileiros passaram fome. Estes dados representam o dobro dos registrados em 2009, bem como um regresso ao nível observado em 2004, quase um ano após o lançamento do programa Fome Zero. É o que revela o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, lançado nesta segunda-feira, 5 de abril.

O estudo foi conduzido pela Rede PENSSAN – Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, com apoio do Instituto Ibirapitanga e parceria de ActionAid Brasil, Fundação Friedrich Ebert Brasil e Oxfam Brasil. Foram coletados dados nas cinco regiões brasileiras, em áreas rurais e urbanas, após a redução pela metade do auxílio emergencial.  

É marcante a relação entre segurança alimentar, gênero, raça/cor e região. Existe fome em 11,1% dos domicílios chefiados por mulheres, e outros 15,9% enfrentam insegurança alimentar moderada. Pessoas autoidentificadas como pretas ou pardas enfrentam insegurança alimentar grave (passam fome) em 10,7% dos domicílios. As regiões Norte e Nordeste contam com maiores índices de insegurança alimentar, onde a fome chega a, respectivamente, 18,1% e 13,8% dos domicílios. A pesquisa também indicou que a insegurança alimentar grave alcançou 12% dos domicílios na área rural, contra 8,5% em área urbana. 

Acesse a pesquisa completa e saiba mais em olheparaafome.com.br.

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