Sobre Tereza de Benguela e outras resistências
07.07.2021

A história de resistência negra no Brasil é tecida por uma linhagem que remonta à participação de mulheres desde a luta contra a escravidão e a colonialidade. Tereza de Benguela é um símbolo desse processo, marcando nacionalmente o 25 de julho. Supõe-se que Tereza de Benguela tenha chegado às áreas de mineração no Brasil em torno de 1730. Ela foi líder do Quilombo do Quariterê, na então capitania do Mato Grosso, cujos registros datam de 1748. Os documentos registram que com a morte do rei no quilombo,  ele passou a ser governado pela “Rainha viúva Tereza”. Além de ser liderança do quilombo, Tereza também cuidava de sua produção agrícola. Em 1770, foi realizada uma grande expedição punitiva, quando o Quariterê foi considerado extinto e Tereza presa. Alega-se que a rainha cometeu suicídio na prisão.

Nas histórias de resistência também estão presentes a insubmissão às perspectivas coloniais de gênero. Um grande exemplo é o de Xica Manicongo que foi denunciada duas vezes à Inquisição por usar “o ofício de fêmea” e por se recusar a trajar “o vestido de homem que lhe dava seu senhor”. Considerada um homem na moralidade europeia e cristã, sua recusa a se vestir de acordo com tal gênero revela a persistência das diversas práticas, costumes, culturas corporais e sexuais do atlântico africano.

Histórias como essas e de outras importantes figuras femininas negras estão presentes na “Enciclopédia negra”, de Flávio Gomes, Jaime Lauriano e Lilia Moritz Schwarcz. A iniciativa é uma parceria entre Companhia das Letras e Pinacoteca de São Paulo, que conta com a colaboração do Instituto Soma Cidadania Criativa e apoio do Instituto Ibirapitanga.

Saiba mais: Neon Cunha fala sobre Xica Manicongo ao Canal Preto.

“Branquitude: racismo e antirracismo” na mídia

Confira a repercussão do encontro em veículos de comunicação. veja mais