• Sistemas alimentares
26.10.2021

De ponta a ponta: cidades e experiências de vanguarda nos sistemas alimentares

Créditos: Laura James

Experiências governamentais e da sociedade civil organizada observam e propõem como sistemas alimentares podem ser transformados em âmbito local, especialmente nas dinâmicas de cidades e regiões metropolitanas. Tais soluções podem ganhar escala, até mesmo aliando-se às intervenções necessárias no nível nacional.

Colocando a comida “no centro da mesa”, o Instituto Comida do Amanhã se constituiu como um think tank que promove conteúdos, encontros, reflexões e caminhos para soluções que incidem sobre políticas públicas voltadas ao direito à alimentação adequada, biodiversa e culturalmente integrada, a partir de uma visão sistêmica da alimentação. Em sua atuação, visualiza o valor em tornar a comida protagonista de um debate mais amplo, fomentando a reaproximação ao alimento, bem como ao seu contexto local.

Em 2020, o Comida do Amanhã conduziu ações que mobilizaram diferentes públicos para sua visão. O Diálogo Brasil do FSD – Food System Dialogues, voltou-se ao desenvolvimento de propostas de ação para abordar desafios específicos dos sistemas alimentares com foco no cenário pós-pandemia no Brasil. Em 2021, junto ao Instituto Fome Zero, realizou o Diálogo Independente “O acesso à alimentação saudável é um direito de todos” para a Cúpula dos Sistemas Alimentares da ONU, voltado a discutir as barreiras e soluções para garantir o acesso universal à alimentação saudável.

Nesse ano, o Comida do Amanhã também deu início a iniciativa mais direta e profundamente voltada à incidência em políticas públicas sobre alimentação nas cidades. Com apoio do Instituto Ibirapitanga, a organização criou o LUPPA – Laboratório Urbano de Políticas Públicas Alimentares. A iniciativa é uma plataforma de intercâmbio de conhecimento e estímulo de ações colaborativas para a construção de sistemas alimentares saudáveis, sustentáveis, resilientes e promotores de justiça social.

De acordo com o Comida do Amanhã, o LUPPA foi idealizado como uma ferramenta para apoiar cidades na construção democrática de políticas integradas e coerentes, que tratem de forma sistêmica os desafios alimentares urbanos. Busca ampliar o número de cidades brasileiras com políticas estratégicas e plurianuais para a alimentação, bem como as fontes de dados e informações sobre os sistemas alimentares locais.

Os primeiros passos do laboratório foram dados. O Comida do Amanhã lançou um edital para a primeira edição do laboratório, voltado a cidades brasileiras com população entre 500 mil e 1 milhão de habitantes, que serão apoiadas ao longo de um ano no desenvolvimento e fortalecimento de sistemas alimentares saudáveis e resilientes. Na seleção, foram valorizados o comprometimento por prefeitas/os, e o diálogo com mais de uma secretaria, de diferentes departamentos, para priorizar cidades já engajadas a partir de mais de uma área técnica da prefeitura, possibilitando uma visão interdisciplinar e transversal.

Ao todo, foram selecionadas 23 cidades localizadas em 13 estados brasileiros, para a garantia da diversidade territorial. Antecedendo o lançamento do laboratório, o Comida do Amanhã realizou um ciclo de webinários, entre 5 de agosto e 21 de outubro – os LUPPA webs –, com diálogos entre especialistas do campo e gestores de cidades com políticas públicas exemplares na área de alimentação. Os municípios participantes foram Curitiba e Recife, como cidades mentoras do LUPPA; mas também Contagem, Maracanaú e Santarém e São Paulo.

Nos LUPPA webs é possível conhecer melhor as estratégias dessas cidades em temas como integração de políticas alimentares; interseção da agenda alimentar e agenda climática; garantia do direito humano à alimentação e à nutrição adequadas; abastecimento alimentar e encurtamento de circuitos; cidades e alimentação escolar.

Para o Instituto Comida do Amanhã “comer é, provavelmente, a decisão mais íntima e com maior impacto global”. Seguindo esta percepção, o LUPPA inaugura um momento de profundo investimento da organização em iniciativas, à primeira vista, mais circunscritas, mas que estão transformando realidades de famílias nas cidades e podem oferecer significativos impactos e aprendizados com o incentivo adequado.

– Radar: o que também nos inspira nas perspectivas sobre cidades e políticas

Com olhar para além dos apoios do Ibirapitanga, trazemos aqui duas outras iniciativas exemplares sobre sistemas alimentares nas cidades brasileiras.

Mais perto do que se imagina

O Instituto Escolhas, em parceria com URBEM – Instituto de Urbanismo e Estudos para a Metrópole e com apoio da Porticus, lançou o relatório “Mais perto do que se imagina: os desafios da produção de alimentos na metrópole de São Paulo”. O estudo investigou o potencial da agricultura urbana e periurbana de tornar o sistema alimentar da maior metrópole do país mais sustentável e resiliente.

A iniciativa levantou dados sobre produção, processamento, distribuição e consumo de produtos alimentícios na Região Metropolitana de São Paulo, maior aglomerado urbano da América Latina.

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Municípios agroecológicos e políticas de futuro

A publicação “Municípios agroecológicos e políticas de futuro – iniciativas municipais de apoio à agricultura familiar e à agroecologia e de promoção da segurança alimentar e nutricional” reúne os resultados do levantamento realizado pela ANA – Articulação Nacional de Agroecologia em 531 municípios brasileiros. O material apresenta mais de 700 iniciativas entre políticas públicas, programas e legislações.

A ANA também disponibilizou os resultados detalhados deste levantamento na “Planilha Municípios Agroecológicos – 2020”, cujos dados alimentam um mapa interativo que oferece navegabilidade por tema e/ou por estado, no site Agroecologia em rede.

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