Equidade racial - Ilustração
Equidade racial - Ilustração
Equidade racial - Ilustração

Equidade racial

O programa Equidade racial parte do reconhecimento do racismo como elemento estrutural das desigualdades no Brasil. Incidir sobre essas relações significa desorganizar os sistemas de discriminação que as perpetuam e aprofundam, sustentados continuamente pelo mito da democracia racial. Para isso, o programa apoia iniciativas a partir de três linhas prioritárias:

Ampliar a representação simbólica e política da população negra

A escravidão e o racismo construíram as bases de um projeto nacional marcado pela exclusão, subalternização e violência sobre a população negra. Sua continuidade é assegurada pela distorção na representação formal e simbólica de negras e negros em diversas esferas da vida social e política. A construção de uma memória seletiva e branca também encobriu a importância de lideranças negras em momentos e lugares cruciais da história do país, e impede até hoje sua presença em espaços de tomada de decisão e no imaginário social. Incidir nos pilares de formação dessa sociedade é condição não apenas para reparação à população negra, mas para o reconhecimento e afirmação de outras histórias e possibilidades de existência.

O Ibirapitanga apoia iniciativas voltadas à preservação e atualização de memória, à valorização da ancestralidade, ao estímulo e divulgação de produção literária e audiovisual sobre o pensamento e cultura negra, à construção e fortalecimento de centros de pesquisa e outras iniciativas que contribuam para o reconhecimento e a incorporação de epistemologias negras na produção simbólica e política brasileira.

Consolidar iniciativas de ação afirmativa

No contexto brasileiro as desigualdades econômicas e sociais permanecem como sintoma do processo de escravidão do povo negro africano, e são repetidamente atualizadas pela ausência de acesso à educação de qualidade, à saúde integral, à propriedade e aos meios de produção de bens e ao trabalho digno. As diferenças de acesso a bens sociais segmentam hierarquias rígidas, onde o topo da pirâmide de renda pertence a homens brancos, e a base localiza as mulheres negras, com poucas chances de mobilidade. Políticas de reparação e/ou ação afirmativa produzidas e ampliadas nas últimas décadas garantiram mudanças consistentes nesse cenário, ainda que tenham sofrido permanente ameaça, sobretudo no contexto atual.

O programa apoia organizações e projetos que fortaleçam o protagonismo político de mulheres negras, apoiem o ingresso e permanência de estudantes negros e negras na universidade, a produção de conhecimento sobre ações afirmativas e outras iniciativas voltadas à inclusão de pessoas negras em espaços sub-representados.

Fortalecer movimentos antirracistas

O racismo, enquanto estruturante de desigualdades,  possui em si um sentido de subalternização e destituição de direitos da população negra. Posicionar-se contra significa enxergar a problemática nas suas duas faces: de um lado, o racismo implica um ciclo de desvantagens para população negra, com a perda dos seus bens simbólicos e materiais; e, de outro, posiciona os brancos em um sistema de privilégios considerado como norma, sem que se reconheçam como o maior beneficiário desse sistema. A problemática racial, portanto, não pode e nem deve ser uma questão de e para a população negra, mas deve estar no centro das preocupações de toda a sociedade que é, em sua origem, cindida racialmente. A construção da equidade racial implica direcionar esforços para ampliar as oportunidades para a população negra, questionando a homogeneização dos espaços de maior estima social.

O Ibirapitanga pretende estimular a construção de um campo antirracista a partir do apoio a organizações de referência no combate ao racismo, a novos estudos e mecanismos de diálogo e ao desenvolvimento de protagonismos e alianças que possam desafiar a configuração das relações raciais no Brasil.