Sistemas alimentares - Ilustração
Sistemas alimentares - Ilustração
Sistemas alimentares - Ilustração

Sistemas alimentares

O programa Sistemas alimentares tem como objetivo contribuir para a construção de um sistema alimentar saudável, justo e sustentável. A maneira pela qual a sociedade produz, distribui e consome alimentos tem profundo impacto na saúde das pessoas, nas relações sociais e no meio ambiente. Essas dimensões interagem e se reforçam, podendo contribuir tanto para a construção de um ambiente saudável, como para o aprofundamento da deterioração das condições de vida no planeta. Os sistemas alimentares são também produtores de cultura e de valor, o que permite transformar positivamente a relação da sociedade com culturas tradicionais e alterar os termos da distribuição de riqueza nas cadeias alimentares, prevenindo, assim, a erosão de padrões alimentares locais. O programa irá apoiar iniciativas a partir de três linhas prioritárias:

Reduzir o consumo de produtos ultraprocessados

Produtos ultraprocessados são fórmulas industriais elaboradas a partir de alimentos como soja, milho e trigo, combinados com aditivos estranhos à cozinha doméstica, como emulsificantes, espessantes, corantes e aromatizantes. Esses produtos tendem a ser hiperpalatáveis, a ter alta concentração calórica e a estimular hábitos alimentares inadequados. São associados, também, à disseminação de doenças crônicas não-transmissíveis como diabetes, obesidade, hipertensão e câncer e representam grave ameaça à saúde pública. Atualmente, 25% das calorias consumidas pelos brasileiros são provenientes de produtos ultraprocessados, percentual que tem aumentado, reduzindo, ao mesmo tempo, o consumo de alimentos frescos, principalmente frutas e legumes.

O Ibirapitanga pretende estimular a comunicação de evidências sobre os efeitos desses produtos, apoiar medidas regulatórias e normativas que desestimulem o seu consumo, qualificar o debate público e fomentar iniciativas que contribuam para a percepção pública sobre uma alimentação adequada e saudável.

Restringir o uso e o consumo de agrotóxicos

O Brasil é hoje o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, autorizando inclusive o uso de substâncias já proibidas em outros países. Os impactos dos fertilizantes nitrogenados, pesticidas, herbicidas e outros aditivos químicos no meio ambiente (clima, água, solos e biodiversidade) e na saúde humana têm sido objeto de pesquisas científicas que evidenciam seus efeitos nefastos. A introdução constante de novas substâncias e, principalmente, a interação entre diferentes elementos químicos no meio ambiente dificultam controles ambientais e de saúde adequados — e as autoridades públicas brasileiras não têm adotado medidas de precaução. É fundamental que o conhecimento acumulado já existente sobre o impacto de agrotóxicos seja capaz de informar as medidas regulatórias de comercialização e uso dessas substâncias.

O programa apoia pesquisas, comunicação e ações voltadas à ampliação do conhecimento e debate público sobre os efeitos do uso agrotóxicos e à melhoria da regulação para controle e restrição do seu uso.

Ampliar o consumo de alimentos de base agroecológica

Os padrões atuais de produção, distribuição e consumo de alimentos têm produzido pressão sobre a capacidade regenerativa dos sistemas alimentares. A transformação desses padrões passa pela incorporação de abordagens agroecológicas, orientadas pela produção de alimentos saudáveis, acessíveis e que contribuam para a renovação dos ecossistemas. Nos últimos anos, a agroecologia avançou a partir de políticas voltadas à agricultura familiar, tais como Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), além de incentivos e assistência técnica. A transição agroecológica é o principal vetor de transformação do atual sistema alimentar, articulando a capacidade de oferta de alimentos com o controle dos impactos da produção e consumo sobre o meio ambiente e a saúde humana.

O Ibirapitanga apoia organizações e associações de referência no campo da pesquisa e comunicação em agroecologia, articulação de movimentos e a construção de novas narrativas a partir de princípios agroecológicos.